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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Como arrumei um marido coreano – nossa história

Toda vez que digo que meu marido é coreano, as pessoas logo ficam curiosas para saber como a gente se conheceu, em que idioma se comunica, entre outras coisas. Nossa história é um pouco inusitada e só deu certo por muito esforço de ambos (mais dele do que meu, na verdade). Hoje, dia 15 de agosto, a gente completa cinco anos desde nosso primeiro bate-papo online e três anos que nos encontramos pessoalmente pela primeira vez. Para comemorar esse marco, fiz uma retrospectiva da nossa biografia e vou contar isso por meio das perguntas mais comuns que eu escuto de amigos e até desconhecidos:



Como vocês se conheceram?
Quem nos uniu foi a Internet, em agosto de 2009, assim que eu comecei o curso de japonês no CLAC da UFRJ. E foi uma super coincidência, porque eu simplesmente estava querendo praticar mais a língua e digitei no Google: “aprendizado de idiomas gratuito”.  A primeira opção que apareceu foi o Live Mocha, uma rede social em que falantes nativos da língua que você quer estudar corrigem seus exercícios e interagem com você.
Depois de uns cinco dias de uso, conheci muita gente nova, com quem falava mais em inglês do que japonês (até porque eu ainda era iniciante neste último). E, dentre os japoneses, chineses, americanos, britânicos, argentinos, indianos e quenianos, estava o Jerry, único coreano da lista. Ele é graduado em japonês e havia morado no país por um ano. Além disso, estava indo fazer um intercâmbio na Inglaterra em alguns meses. Por isso, queria me ajudar e, ao mesmo tempo, praticar inglês.

Mas por que aprender japonês?
Uma pessoa que certamente influenciou nisso foi minha amiga de faculdade, Rafaela. Até 2007, eu não tinha nenhum interesse pelo Oriente. Só tinha visões estereotipadas e considerava nerd todo mundo que gostava de animes, mangás e cultura japonesa. Mas, depois que essa amiga me apresentou as novelas orientais, chamadas de doramas, comecei a ter uma profunda admiração, primeiramente pelos japoneses e, mais tarde, por taiwaneses, coreanos e chineses. Então, assim que terminei o curso de espanhol, corri para aprender japonês. Da parte dele, quem indicou o Live Mocha foi um amigo, nosso outro cupido.

E como esse relacionamento saiu da Internet?
Depois de conversar por uns seis meses, percebemos um interesse maior um pelo outro, mesmo que fosse um relacionamento apenas online. A gente se falava diariamente e confidenciávamos as partes boas e ruins do nosso dia. Ele, com as dificuldades e aprendizados do intercâmbio e eu, com meu curso de japonês, trabalho (na época com tradução), faculdade de Jornalismo e assuntos diversos. Depois de mais ou menos um ano, passamos a nos corresponder por cartas e até a enviar pequenos mimos de presente (fotos). Ele me pediu em namoro e eu aceitei, mas, ao mesmo tempo, tinha medo de que não passasse da Internet.

Primeiro presente que recebi dele, antes de nos conhecermos pessoalmente

Mimo  recebido no Valentine's Day
Presente de Natal que eu mandei

No início de 2011, depois de economizar bastante, resolvi que faria, em agosto, minha primeira viagem internacional para Madri, capital espanhola, durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), evento católico. Quando avisei a ele, ficou tão animado porque seria a oportunidade ideal para a gente se encontrar, e, mesmo que ele não seguisse a mesma religião, participou de tudo comigo. A expectativa do evento e, ao mesmo tempo, de encontrá-lo, era grande. E isso aconteceu no dia 15 de agosto, que coincidentemente também era a data em que começamos a nos falar pela Internet.

Nossa primeira foto juntos

Em Madri, quando nos conhecemos pela primeira vez 

O que seus pais achavam disso?
                Minha mãe sempre foi muito incentivadora de meus relacionamentos online. Com 15 anos, eu conheci meu primeiro namorado pela Internet e ela participou de todo o processo desde a ler minhas conversas com ele até me levar para Volta Redonda, cidade onde ele morava, para conhecê-lo pessoalmente. Em relação ao Jerry, eu tinha contado sobre ele, mas nesse caso, ela ficou um pouco mais apreensiva por ser estrangeiro, não conhecer aspectos culturais do país e, principalmente, pela distância.
A primeira vez que recebi uma correspondência dele lá em casa foi tão engraçado que meus pais acharam que era uma bomba (ainda mais que a caixa estava cheia de escritos em coreano, que, para eles, eram algum código mortífero ou sei lá o que). Minha mãe disse que a gente só abriria na praia de Saquarema e, qualquer coisa, tacava no mar. Mas eram apenas chocolates e doces, para a nossa alegria!

A "bomba" enviada por ele

Quando nos encontramos pessoalmente, em Madri, tinha medo de que eles não me deixassem ir se eu contasse que ele iria estar lá. Então, só dei a notícia para meus pais no dia em que estava partindo. Eles ficaram meio chateados comigo pela falta de confiança, mas, depois, me perdoaram. Até receberam ele na minha casa no ano seguinte e em 2013, nas quatro vezes em que ele veio para o Brasil.

No Pão de Açucar


Marquês de Sapucaí durante o Carnaval carioca

Em que idioma vocês se falam?
Embora eu esteja aprendendo coreano e ele português, ainda nos comunicamos basicamente em inglês. Mas, com os meus sogros, sou obrigada a falar coreano e ele tem que se virar no português para entender minha família.

Depois do primeiro encontro, como continuaram com esse relacionamento à distância?
Ficamos juntos por uns dez dias em Madri, participando do evento. Depois disso, ele voltou para a Coreia e eu vim para o Brasil. No mês seguinte, ele começou a trabalhar num projeto da Hyundai em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. E, como tinha direito a férias de três em três meses, resolveu passar esse tempo no Brasil para passear e estudar português. A empresa pagava pela passagem aérea, o que fazia com que a viagem não saísse tão cara.

Natal em família na minha casa

Passeio para Saquarema, Região dos Lagos (RJ)

Escadaria Selaron na Lapa (RJ)

MAC em Niterói (RJ)

Desde nosso segundo encontro, ele me deu um anel de noivado e decidimos casar em um ano ou dois. No final de 2012, ele se demitiu da Hyundai com planos de morar no Brasil. E, antes disso, planejamos uma viagem para eu conhecer a Coreia. Ele foi um fofo, saiu de Abu Dhabi, veio me buscar em casa (loucura) e partimos para o país dele, onde fiquei hospedada na casa dos meus sogros por quase um mês. Depois, voltamos juntos para o Brasil.

Anel de compromisso que ele me deu em Madri

Em Dubai, durante conexão para Coreia
O problema é que o verão carioca e a nossa comida extremamente salgada fizeram mal a ele. Ele decidiu, então, ir para a Coreia, com data marcada para voltar ao Brasil em junho de 2013. Foi quando começamos a agilizar o nosso casamento. Mas a morte da minha mãe, em agosto, nos deixou abalados e ele me chamou para passar um período na Coreia, estudar em alguma universidade de lá e depois voltar para terminar minha faculdade no Brasil.


Estúdio de Jornalismo da SBS, emissora coreana onde minha cunhada trabalha

Cadeados na Seoul Tower

Passeio para Kyoto, Japão

Quais são os planos para o futuro? Brasil ou Coreia?
Talvez, nenhum dos dois. Agora que casamos, ele está trabalhando na Nigéria (é isso mesmo, onde estão acontecendo casos do vírus ebola), e, como eu não podia ir com ele, estou de volta ao Brasil para me formar em História e depois voltar para a Coreia. Temos planos, no entanto, de morar em algum outro lugar, provavelmente Canadá ou Austrália, mas vamos esperar as oportunidades que surgirem. Como ele tem muita experiência de trabalho no exterior, não deve ser tão difícil.

Sessão de fotos do nosso casamento


Lua de mel em Boracay, Filipinas

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Essa foi basicamente nossa história. Depois, faço outro post sobre algumas curiosidades em relação a choques culturais da relação entre pessoas de dois países tão diferentes, como por exemplo, mancadas que cometemos um com outro por falta de conhecimento das tradições e costumes de cada um. Temos muitos casos engraçados e constrangedores, mas vou deixar para falar disso em outro momento.

domingo, 10 de agosto de 2014

Dia dos Pais na Coreia - pai e mãe

Como hoje é dia dos pais no Brasil, algumas pessoas ficam curiosas para saber se a data se repete em outros lugares do mundo. Na Coreia, eles não comemoram separadamente um dia para mães e pais, mas sim um dia dos dois, que acontece sempre em 8 de maio, que não é considerado feriado (até porque há dois feriados seguidos nos dias 5 e 6 de maio, com o Dia das Crianças e o Aniversário de Buda). Então, no Eobeoi Nal (어버이날), como chamam os coreanos, os filhos homenageiam aqueles que os educaram e/ou deram a vida a eles dando flores – cravos vermelhos, para ser mais específica.


                Este ano, como estava na Coreia, pude ver de perto como se celebra essa data. Para presentear meus sogros, fui caçar onde comprar os tais cravos vermelhos e percebi que era mais fácil do que eu pensava. Tanto no meio da rua quanto em lojas (cafeterias, mercearias, entre outros), havia pessoas vendendo vários tipos de kits fofos contendo essas flores verdadeiras ou de plástico. Escolhi dois vasinhos  (foto anterior) e, como esse ano o aniversário lunar do meu sogro caiu no mesmo dia, também comprei um bolo para comemorar (embora ele não goste muito de doce e de nada muito artificial, na verdade).


Por que dia dos pais e das mães ao mesmo tempo?

O Dia dos Pais coreano existe desde 1930. Com a chegada de comunidades cristãs ao país, combinada à tradição confuciana da Coreia, surgiu a necessidade de celebrar uma data para a família. Foi a partir de 1956 que foi estabelecido o 8 de maio como Dias das Mães. Vinte anos depois, no entanto, houve uma discussão para que, em vez de ser um dia só dedicado às mães, que fosse para ambos os pais. E, no início, a ideia era que a semana toda fosse em respeito aos mais velhos e ancestrais, mas, então, isso foi modificado de forma que hoje maio é considerado o mês da família, sendo o dia 8 especialmente feito para os pais.

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Mas, como hoje é dia dos pais só no Brasil, desejo uma ótima data a todos os brasileiros, especialmente ao meu, que agora também é vovô e aparece na foto com meu sobrinho.

Foto: Henrique Barreto

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Churrasco: a comida brasileira na Coreia

Quando estamos em um país diferente, geralmente procuramos por algo que faça com que nos sintamos em casa. E a preocupação de muitas pessoas é em relação à comida. Tem gente que não se adapta a uma nova cultura mais por sua culinária do que por outros motivos. Realmente, essa é uma parte muito importante da adaptação de um estrangeiro. E, depois de uns três meses na Coreia, eu já estava sentindo falta do meu açaí, guaraná e de vários pratos brasileiros. O problema era que ficava sem graça de cozinhar, por morar com os sogros. Então, minha solução foi caçar pelos restaurantes brasileiros na cidade. Descobri dois em Daejeon, mas ambos eram rodízios de carne (muito caros). Procurando em municípios vizinhos, o resultado era basicamente o mesmo. Cheguei à conclusão de que comida brasileira na Coreia era sinônimo de churrasco (슈하스코).


Saladas coreanas servidas numa churrascaria rodízio brasileira
No entanto, como a maioria de restaurantes estrangeiros, a pessoa não pode esperar encontrar tudo exatamente do mesmo jeito que em seu país. Aliás, os chineses ficam muito frustrados quando vão a algum estabelecimento na Coreia que deveria servir pratos comuns a eles. A maioria não consegue se sentir à vontade, porque são comidas que não existem na China ou em diversas províncias de lá, como o jajangmyeon (자장면). Quando eles forem para o Brasil, a decepção deve ser ainda maior, coitados, já que yakissoba é japonês e frango xadrez definitivamente não é servido à moda deles. Enfim, voltando ao churrasco, os bufês liberados já são muito famosos na Coreia. Mas a nossa ideia de rodízio, com garçons servindo as carnes nas mesas, foi um elemento novo incorporado no estilo de restaurante brasileiro. Além disso, as saladas e acompanhamentos não são muito “abrasileirados”, embora alguns lugares incluam feijoada, farofa, entre outros. Além de também venderem guaraná, vindo do Japão (a uns 10 reais uma latinha).

Jajangmyeon (자장면): comida chinesa mais famosa da Coreia é desconhecida dos chineses
Feijão preto servido no bufê de uma churrascaria com nome de "feijoada
Latinha de guaraná vendida em restaurante brasileiro na Coreia
Em Daejeon, no final de outubro do ano passado (meu segundo mês na Coreia), abriu um rodízio brasileiro de carnes chamado Rio de Janeiro (리우 데 자네이루), que é minha cidade natal. Nem preciso dizer que fiquei emocionada e decidi ir correndo para conferir. Já mencionei antes aqui, mas carne na Coreia é um artigo de luxo. O quilo de um corte bovino de qualidade chega facilmente a 75 mil wons (ou 150 reais). Então, não esperava que fosse um tipo de restaurante baratinho, mas me espantei com preços muito compatíveis com o de churrascarias brasileiras. Os valores desse restaurante variavam entre 24 mil wons (48 reais), para almoço em dia de semana, e 40 mil wons (80 reais), para jantar em fins de semana. A gente pegou uma promoção desses sites de compra coletiva (T-mon, Groupon) e pagamos uns 30 mil wons (60 reais), mesmo sendo um fim de semana.


Prédio da TJB (SBS), emissora coreana onde fica o restaurante, em Daejeon

E o que me impressionou foi que todos os garçons eram brasileiros ou coreanos que moraram no Brasil. A maioria tinha experiência internacional, como esse da foto, que trabalhou vários anos na Espanha e estava me dizendo da dificuldade de aprender o idioma para poder falar o nome das carnes de forma que os coreanos entendessem. De qualquer forma, para situar os clientes, o restaurante também disponibilizava uma foto com a nomenclatura dos cortes em português e uma possível tradução para o coreano, o que é meio complicado, já que os brasileiros são muito mais específicos. Enquanto temos 20 denominações diferentes para partes do boi, os coreanos têm apenas dez, como mostram os quadros abaixo. E eu adorei minha primeira ida, já que fui a primeira brasileira a visitar o restaurante, uma semana depois da inauguração, e eles estavam me servindo super bem por isso.

Garçons brasileiros trabalham nessas churrascarias
Nomes dos 20 cortes brasileiros

Os coreanos têm apenas 10 tipos de cortes bovinos

Outra rede de Daejeon, chamada Coba Grill (코바그릴), também oferece rodízio de carnes (fotos abaixo). Essa eu nunca fui, por ser meio longe da minha casa. Fica perto da estação de trem da cidade. Pela página do estabelecimento no Facebook, é possível ver algumas informações. Eles explicam em panfletos o que é o churrasco, horários de funcionamento, localização e preços. Os valores são comparáveis ao do outro restaurante: 28 mil wons (uns 56 reais) nos dias de semana e 32 mil wons (64 reais) em fim de semana. Eles servem ainda churrasco de abacaxi, o que eu raramente vejo no Brasil e nunca comi. Fora esses dois lugares, a cidade também tem alguns restaurantes que se dizem brasileiros, mas têm nome italiano e o tipo de comida não se parece em nada com a nossa. Devem só acompanhar o fluxo. Encontrei, no mínimo, uns três assim.


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Apresentei apenas as redes de churrascaria de Daejeon, porque é onde moro na Coreia, mas sei que em Seul, Busan e outras cidades coreanas também existem várias. Na Escola Alegria, por exemplo, na capital do país, eles servem vários pratos brasileiros e tem até açaí. Aliás, esse fruto brasileiro tem se tornado cada vez mais comum na Coreia. Já achei bala, chocolate de açaí e até a polpa da fruta sendo vendida no país. Vi ainda pão de queijo em uma cafeteria da universidade de Chungnam (CNU), mesmo que o gosto seja um pouco diferente do original. Aliás, nesse mesmo lugar, as mesas são feitas com madeira brasileira e me sentia em casa. Vou deixar para mostrar isso em outro dia, que hoje o assunto era churrasco. E já está me dando fome.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

“Tá bom”: o que o coreano diz quando está feliz

Nos meus primeiros dias na Coreia, como eu morava com meus sogros, tinha que me comunicar por meio do pouco vocabulário em coreano que eu conhecia ou do “conglês” (palavras em inglês adaptadas para o idioma deles). Mas me surpreendeu que eles viviam repetindo para mim a expressão “tá bom” (ou 따봉), com o dedão levantado. Eu não entendia nada, até que meu marido me explicou que, por causa de uma propaganda da década de 1990, se eu falasse isso para qualquer um na rua, eles entenderiam que eu quis dizer que algo é legal ou agradável. Depois, ainda ouvi na TV coreana uma senhora cheia de pompa dando uma opinião sobre uma obra de arte utilizando os mesmos termos e gestos. Além disso, por causa da Copa do Mundo no Brasil, surgiram vários programas televisivos fazendo referência ao bordão.




Essa repetição maciça me deixou com a pulga atrás da orelha. Foi quando, recentemente, fuxiquei na Internet para ver se encontrava algo sobre as origens do uso dessa expressão na Coreia. E fiquei admirada com o que descobri. Primeiramente, é bom saber que os coreanos adoram adotar vocábulos estrangeiros para parecerem mais intelectuais. Existem várias cafeterias e estabelecimentos diversos com nomes em italiano, francês, espanhol e até português, que provavelmente, em alguns casos, o dono nem sabe o significado, porque já vi algumas coisas escritas com erros. Percebe-se essa influência até nas marcas dos carros do país, com, por exemplo, modelos como o Veracruz e o Avante.

Bom, vou deixar para falar disso outro dia, mas voltando ao “tá bom”, essa é mais uma invenção da Lotte, gigante do setor de varejo coreano. Foi o nome dado a uma linha de sucos lançada por eles com frutas brasileiras, da submarca Delmont. E, quem atua na propaganda (vídeo 1) que popularizou o bordão é o Lee Soo-man (이수만), fundador da SM Entertainment, uma das três grandes gravadoras do país. Quem curte K-Pop sabe que esse foi o cara que lançou as bandas Girls’ Generation, Super Junior, SHINee e uma lista imensa dos artistas mais famosos do país. Mesmo quem não entende coreano consegue captar a mensagem desse vídeo. A menina canta que o suco é o “tá bom”, que todo mundo gosta. O rapaz pergunta se ela está falando do Delmont e depois apresenta os sabores. A outra propaganda (vídeo 2) explica que as frutas vêm do Brasil, mais especificamente de lavouras em Araraquara (SP).  



Um programa da emissora coreana tvN (vídeo 3) aproveitou o gancho da Copa e, em junho, lançou um episódio em que o apresentador esclarece aos coreanos as origens e significados do “tá bom”. Da metade para o fim, eu não entendi quase nada do que ele diz, mas achei interessante, principalmente quando eles colocam para ilustrar a matéria um clipe de uma música do Harmonia do Samba que eu nunca tinha ouvido na vida. O mais engraçado é que os brasileiros falam “tá bom” com muito menos entusiasmo do que os coreanos. Acredito que, dos vários usos dessa expressão no Brasil, a mais comum hoje em dia é a de concordar com algo, muitas vezes até depois de se estressar numa discussão e só me vem à cabeça a cena em que a personagem Lady Kate, do humorístico Zorra Total (vídeo 4), repete isso freneticamente.



Um desenho animado famoso na Coreia, chamado Larva, produziu um clipe com o hit “Tá bom”, música criada em homenagem à Copa do Mundo 2014. Em uma parte, o personagem Brown (uma barata, acho) pergunta: “o que o brasileiro diz quando tá feliz?” e um tatu-bola fofo repete logo: “tá bom”. Eu não sei de onde eles tiraram isso, mas definitivamente dedão levantado, para a gente, significa muito mais um “valeu” ou “ok”. Bom, por isso, não se pode dizer que esse bordão coreano é exatamente igual ao do Brasil. Seria uma adaptação, com um conceito só deles. De qualquer forma, o vídeo é bem engraçadinho e o refrão, grudento. Eles fizeram duas versões, uma internacional (em português) e outra em coreano, que podem ser vistas abaixo.



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Só para acrescentar, esqueci de dizer que, na minha cerimônia de casamento na Coreia, meu marido gritou três vezes "tá bom", depois de explicarem que essa era uma expressão brasileira. Espero que tenham gostado. E tá bom! Já chega por hoje.


quinta-feira, 17 de julho de 2014

O que os coreanos pensam sobre o Brasil e os brasileiros?

“Futebol, samba, Carnaval”; “Fica na África ou perto da Índia?”; “Você é do Rio, capital do Brasil, né?". É engraçado que, desde a primeira vez em que cheguei à Coreia, tenho ouvido muitos comentários dos coreanos sobre minha terra natal. No geral, quando digo que sou brasileira, a maioria abre um sorriso e repete as três palavrinhas mágicas de sempre: futebol, samba e Carnaval. Conversando com outros brasileiros que estão morando no país, pude comprovar que a reação coreana é quase sempre a mesma. Simpatia e alegria. A imagem do Brasil é, via de regra, bastante positiva entre eles. Quase ninguém sabe dos problemas estruturais do país e, mesmo quando fazem ideia, preferem pensar de forma positiva. Mas também presenciei alguns casos curiosos envolvendo a minha origem que gostaria de compartilhar. Minha intenção não é criar ou reforçar estereótipos, senão falar um pouco sobre situações que envolvam a percepção de alguns coreanos que nunca estiveram no Brasil sobre nossa localização, cultura e costumes. 

Foto: Ariane Rodrigues

  • O país do futebol: Em épocas que antecediam a Copa do Mundo de 2014, quando coreanos ouviam que eu era brasileira, já soltavam algo sobre o grande evento e como o Brasil era bom em futebol. Alguns arriscavam nomes de jogadores famosos, como Pelé, Ronaldinho (o Fenômeno), Rivaldo, entre outros, principalmente os que participaram do pentacampeonato de 2002, já que os coreanos tiveram uma proximidade maior com o futebol esse ano, quando a Coreia foi sede do mundial juntamente com o Japão. Desde então, o esporte tem se tornado cada vez mais popular no país, após a seleção da casa ter conquistado sua melhor classificação no evento, ficando com o quarto lugar (mesma posição do Brasil nesta última Copa, aliás). De qualquer forma, o futebol brasileiro tem uma boa fama em quase todos os lugares do mundo e não seria muito diferente na Coreia. Já vi muita gente nas ruas vestindo a camisa da seleção do Brasil ou algum acessório com a nossa bandeira estampada, itens facilmente encontráveis em lojas coreanas (fotos).

Fotos: Ariane Rodrigues

  • Carnaval (ou “Festival do Samba”): A imagem do Carnaval carioca e dos desfiles de escola de samba ainda é tida como referência para os coreanos. A palavra que eles usam para descrever essa festa é inclusive 삼바 축제 [samba tchukje] ou “Festival do Samba”. Eu, como carioca, não acho isso tão estranho, mas, para brasileiros de outras regiões, é triste pensar que outras manifestações culturais, como o axé baiano (que hoje tem uma presença bem maior na época do Carnaval) ou o frevo pernambucano e os bonecos de Olinda sejam ignorados mundo afora. Para piorar, em parceria com a Fifa, o Mac Donald’s lançou um menu para a Copa do Mundo chamado “Samba Beef Burger” (foto), o que ajuda ainda mais a sustentar a ligação (inexistente) entre samba e futebol. Nesse mesmo período, o Brasil estava na moda e, então, era possível encontrar, em várias cafeterias e estabelecimentos, referências à cultura do país: imagens de pessoas sambando com roupas de Carnaval eram muito comuns. 
Foto: Ariane Rodrigues

  • Beleza brasileira: A aparência dos brasileiros, principalmente das mulheres, é vista com bons olhos pelo público coreano. Alguns acham que o país só tem negros ou indígenas e se espantam quando descobrem que existem brancos e pardos também. Outros sabem que a Gisele Bündchen (foto) é nossa conterrânea e acreditam que ela seja um modelo de beleza no Brasil. Como eu sou parda, é muito difícil para os coreanos acertarem de onde eu sou. A maioria acha que sou indiana ou de algum país do Sudeste Asiático. Já chutaram Malásia, Filipinas, Indonésia, Turquia, Irã, algum lugar na Europa, Estados Unidos ou Venezuela. No entanto, só uma menina de 12 anos perguntou se eu era brasileira. Ela tinha morado nos Estados Unidos e disse que sabia reconhecer as diferenças. Sortuda, nem eu consigo uma proeza dessas. Uma vez, meu marido contou no trabalho de onde eu era e mostrou uma foto minha para o chefe dele, que comentou: “Puxa, eu achava que todas as brasileiras fossem bonitas. Deve ser só na TV”. Isso acabou com minha auto-estima, mas foi interessante para perceber o que alguns coreanos pensam sobre nós. 
Foto: Luigi & Daniele + Iago / Divulgação

  • Continente brasileiro: Geografia não é muito o forte dos coreanos. Muita gente (especialmente os mais velhos) não sabe exatamente onde fica o Brasil. Há quem me pergunte se é na África, perto das Filipinas, na Europa ou do lado dos Estados Unidos. Enfim, já ouvi de tudo na Coreia. Inclusive, outro dia, estava eu numa loja de bolsas e achei uma mala com um pedaço de mapa, que incluía a África e parte da Ásia. Quando fui olhar de perto, levei um susto. O Brasil estava representado exatamente no lugar onde deveria estar a Argélia (no norte africano). Verifiquei a origem do produto e estava escrito: “Made in Korea”. Achei que fosse chinês, que geralmente tem fama de produções em massa sem muita atenção à qualidade. Que pena que meu celular estava sem bateria na hora e não consegui registrar a cena. No entanto, mesmo entre os que sabem que o Brasil fica na América do Sul, há aqueles que se assustam quando descobrem a distância do país em relação à Coreia. No mínimo, leva-se 24h de avião até lá e não existe voo direto, o que deixa muitos de boca aberta.
Foto: Ariane Rodrigues

  • Rio de Janeiro: Capital do Brasil: A dificuldade de saber qual é a capital do Brasil é muito comum ao redor do mundo, da mesma forma que muitos brasileiros acham que Sidney é a capital da Austrália ou que Istambul é a capital da Turquia. Para os coreanos, deve ser ainda mais difícil de assimilar isso, porque a Coreia é um país que gira quase que totalmente em torno de Seul. É a cidade mais populosa, um centro turístico, político e econômico, com uma taxa de poluição acima do normal. Ou seja, tudo o que uma capital deve ter (ou não). Só sei que, 80% das vezes em que falei que sou do Rio (foto), ouvi como resposta: “Rio de Janeiro, capital do Brasil, né?”, um erro muito comum entre estrangeiros. Ainda mais que a cidade poderia ser considerada a capital turística do país, assim como São Paulo seria a econômica e Brasília, a política. Depois que a Disney lançou o filme “Rio”, a cidade ganhou maior destaque e passou a ser mais conhecida ainda. Nunca encontrei ninguém na Coreia que soubesse exatamente qual era a capital do Brasil. Quando não diziam Rio, respondiam São Paulo. Outros lugares que parecem famosos são a Amazônia, as Cataratas do Iguaçu e Curitiba.
Foto: Jerry Choi

  • Brasileiro, um novo idioma: É muito comum desconhecer a língua falada em determinado lugar.  E, com o Brasil, não seria diferente. A maior parte dos coreanos que eu conheci achava que existia um idioma “brasileiro”. Eles não estariam exatamente errados, se considerarmos que nossa língua tem diferenças em relação à de Portugal, mas não é distinta o suficiente para dizermos que é algo novo. É como inglês britânico e americano. A base é a mesma. Outro grupo que ouvi acreditava que nosso idioma fosse o espanhol, uma ideia muito difundida principalmente nos Estados Unidos. Encontrei uma coreana que morou nos EUA por mais de 20 anos e que, quando disse que era brasileira, começou a conversar comigo em espanhol. Eu fui respondendo no mesmo idioma, porque fiquei sem graça de explicar que minha língua nativa era o português. Outra parcela mínima de coreanos me questionou se no Brasil falávamos inglês, por acreditar que fôssemos vizinhos dos norte-americanos. Mas esses eram minoria.

  • Cultura em geral: Algumas outras manifestações culturais brasileiras também são conhecidas na Coreia, como a Bossa Nova e a capoeira. É possível escutar, em alguma das milhares cafeterias espalhadas pelo país, diversos hits da MPB, que provavelmente eles nem sabem que são do Brasil. A canção “Garota de Ipanema” parece ser famosa entre o povo coreano, assim como suas versões. Um cantor brasileiro que faz sucesso na Coreia é o Tiago Iorc, embora quase todas as suas composições sejam em inglês. Em 2010, ele foi eleito o melhor artista estrangeiro por sua apresentação no Grand Mint Festival, em Seul (vídeo). Já “Ai, se eu te pego”, do Michel Teló, não teve tanta repercussão na Coreia quanto na Europa, mas também há os que conhecem. Outra música que toca bastante em rádios coreanas é “Chorando se foi”, a lambada da banda franco-brasileira Kaoma. E não é a original boliviana, mas a versão em português que mais pode ser ouvida.


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Depois de todas as considerações, acredito que os coreanos realmente gostem de brasileiros e são muito mais simpáticos quando você diz de onde é. Eles são meio preconceituosos com pessoas de determinados países e podem acontecer atos xenofóbicos. Eu nunca sofri nada muito sério, mas certas reações de coreanos a estrangeiros mais afastam do que acolhem. Como este post já está muito extenso, vou falar mais sobre determinados pontos outro dia. Hoje, inclusive achei umas raridades na Internet, que são as propagandas da Delmont, que deram origem ao uso da expressão “tá bom” pelos coreanos. Achei tão legal que vai ser meu próximo assunto aqui no blog. 

segunda-feira, 7 de julho de 2014

(Quase) nada de burocracia - Casamento civil na Coreia

No início de 2013, eu e meu atual marido decidimos nos casar no civil no Brasil. Após pesquisar um pouco sobre documentação e valores, percebi que demoraria muito e gastaríamos uma boa grana para dar prosseguimento ao processo, mas fomos em frente. Tiramos uma certidão de nascimento para ele no Consulado da Coreia do Sul em SP, traduzimos para o português e registramos o passaporte dele. Tudo certinho, mesmo custando mais de 2 mil reais. Quando fomos ao cartório de Pilares (o único em que eu podia casar pelo meu endereço) para dar entrada, juntamente com as duas testemunhas, a funcionária do local alertou que havia algo errado: precisaria de um intérprete juramentado tanto para protocolizar quanto para o dia da assinatura do documento, o que daria mais 1,2 mil reais (fora a taxa consular de uns 500 reais) e ainda levaria, em média, três meses para finalizar tudo.

                O excesso de burocracia acabou criando muito estresse, mas, como no Brasil cada cartório segue regras independentes, decidimos dar andamento pelo cartório de Copacabana, onde meu marido morava na época. Lá, eles não pediam intérprete e a exigência de documentos era bem menor, o que seria mais barato e ficaria tudo pronto em cerca de um mês. Acabou que, nesse meio tempo, minha mãe morreu e o Jerry (meu marido) desenvolveu um problema nos rins e no fígado e, por não confiar no sistema de saúde brasileiro depois da sequência de erros médicos que levou à morte da minha mãe, decidiu voltar às pressas para a Coreia. Por isso, depois de uns três meses tentando, pagamos e não conseguimos casar no Brasil.

                Contei tudo isso para mostrar como certos entraves complicam qualquer coisa no nosso país e, na nossa situação, foi ainda pior. No entanto, na Coreia, quase tudo é de graça e, em no máximo uma semana, já sai a certidão de casamento. Além disso, os cartórios exigem poucos documentos, o que diminui a duração total do decurso. Se eu soubesse que o caminho contrário era mais fácil, não teria tentado casar primeiro no Brasil. O meu post de hoje é sobre isso. Quando fui estudar na Coreia, em setembro do ano passado, já tinha planos de casar no civil lá, ou, como eles chamam, 혼인신고 (honin shingo) e depois registrar no Brasil. Por isso, levei meus documentos traduzidos para o inglês e pedi para dois amigos assinarem uma declaração de estado civil antes de eu partir, porque li que isso era necessário para o casamento coreano. Então, foi tudo muito simples.

                Basicamente, estrangeiros que casem com coreanos precisam somente comprovar que são solteiros, por meio de algo reconhecido pela embaixada do seu país e um atestado de filiação do interessado, traduzido para o coreano ou inglês. No caso de cidadão brasileiro, pode ser a identidade ou a certidão de nascimento. O site da Embaixada do Brasil mostra as exigências para a emissão da papelada necessária. A “declaração consular de estado civil”, por exemplo, tem um custo de 22,5 mil wons (uns 50 reais) e leva cerca de três dias úteis para ficar pronta. Mas a pessoa tem que ter sorte, porque algumas atendentes parecem que estão lá para dificultar a sua vida. Uma das funcionárias do órgão foi tão “simpática”, que ficou insistindo que podia demorar mais e blá, blá, blá.


                E, para solicitar essa declaração, precisa de original e cópia do passaporte brasileiro (páginas 1, 2 e 3); um formulário  preenchido e assinado pelo declarante e duas testemunhas de qualquer nacionalidade, e esse documento pode ser assinado pessoalmente ou, caso elas não estejam presentes no momento, tem que reconhecer a assinatura em cartório; além de um original e cópia da certidão de nascimento, segunda via, emitida nos últimos seis meses. No meu caso, isso foi tranquilo, porque já tinha tirado um pouco antes de sair do Brasil, mas eu fico imaginando se o brasileiro já estivesse morando na Coreia há um ano ou mais e decidisse se casar com um coreano. Como ele faria para tirar uma segunda via da certidão de nascimento? O governo brasileiro sempre causando problemas.

                Com isso em mãos, basta ir a um tipo de sub-prefeitura coreana, que é um órgão do governo dividido por áreas administrativas da cidade (nome do bairro + 청 [chong]). Ao se dirigir ao Centro de Atendimento ao Cidadão (foto) do prédio, os interessados preenchem o formulário (foto) com informações pessoais como nome, local e data de nascimento. Então, os noivos e duas testemunhas assinam, mas só uma das partes precisa estar presente na data do registro. Para o/a coreano(a), só é necessário o certificado de relação familiar (가족 관계 증명서) e alguma identidade com foto. Em relação ao estrangeiro, já explicitei anteriormente as exigências. Depois que entregar tudo, os dois já podem se considerar casados, mas precisam apenas esperar que a certidão de casamento seja emitida (o que leva em torno de uma semana). E não há nenhuma taxa consular ou algo do gênero.


Cartório onde casei

Centro de Atendimento ao Cidadão da sub-prefeitura de Seogu, Daejeon

Os brasileiros precisam saber que o casamento só terá validade no seu país de origem se for registrado na embaixada, que fica no bairro turístico de Gwanghwamun, em Seul (fotos da vista do lado de fora). No dia de dar entrada, basta que o brasileiro compareça com a documentação exigida, depois de traduzir duas certidões para inglês, espanhol, francês ou português (mas aviso que é mais fácil encontrar tradutor para inglês). Também é necessário pagar 60,000 wons (uns 120 reais). Quando a certidão de casamento estiver pronta, os dois precisam estar presentes para assinar e escolher o regime de bens, já que isso não existe na Coreia. O prazo mínimo é de três dias úteis, mas uma das “adoráveis” funcionárias da embaixada me alertou que eles só cumprem esse tempo se não tiver nenhum problema técnico. Ou seja, depende do humor dela e do computador não quebrar.


Palácio de Gyeongbukgung visto da janela da embaixada do Brasil em Seul
Foto: Ariane Rodrigues
E, por último, casar na embaixada não é suficiente. Depois disso, o noivo brasileiro (ou um procurador) tem um prazo de seis meses para transcrever essa certidão no primeiro cartório da sua região no Brasil. Isso mesmo. É preciso voltar para sua cidade natal e fazer a solicitação. No Rio de Janeiro, tem que ser na Ilha do Governador. As informações detalhadas estão no site do órgão, mas já adianto que o processo custa uns 325 reais e o documento fica pronto em cerca de dez dias úteis. Depois disso, a pessoa já pode se considerar casada tanto no Brasil quanto no exterior. E isso é necessário para ter o visto permanente (o famoso “green card”) na Coreia, chamado de F6. Apenas casar pela lei local não te dá direito a morar lá. E, como os coreanos não permitem dupla nacionalidade, o brasileiro pode apenas trocá-la, o que significa que tecnicamente deixaria de ser brasileiro, mas isso é opcional.

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Finalmente, depois de mais de um ano tentando, nesta sexta-feira (11/07), já poderei me considerar casada no Brasil. E, quando voltar para a Coreia, terei direito à residência lá. Mesmo com esses detalhes burocráticos para emissão de visto para estrangeiro, eu ainda recomendo que os brasileiros casem antes pela lei coreana e depois façam o registro no Brasil. Acaba saindo mais barato e mais rápido. Mas, para quem não mora na Coreia, realmente fica mais fácil o caminho inverso, já que as passagens são extremamente caras (mais de 4 mil reais, ida e volta) e essa ponte aérea pode criar um custo ainda maior. Para quem está nesse processo, boa sorte.